CRISE HÍDRICA ATUAL É RESULTADO DE 10 ANOS COM MENOS CHUVAS

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) realizou, ontem, webinar do programa “Proximidade”, para promover integração com a comunidade. O encontro virtual visou debater a crise hídrica que o país atravessa e alertar para o consumo racional da energia elétrica. Reportagem do Jornal da Manhã participou como convidada.

Adelmo Antônio Correia, meteorologista da Cemig, iniciou falando sobre a incidência de chuvas e alertando que o cenário atual é fruto da diminuição do volume pluviométrico nos últimos dez anos. “A crise se agravou na última década, que tem tido chuvas com má distribuição”, destacou. Outro ponto mencionado é que, mesmo em períodos com boas chuvas, muita água não chega ao leito dos rios que abastecem os reservatórios.

Além disso, Antônio revelou que a estatal estima chuvas de apenas 60 milímetros em setembro, o que não é suficiente para diminuir a preocupação com os reservatórios. No sistema Emborcação, 24ª maior hidrelétrica do Sistema Nacional de Geração de Energia, o nível está em 11,53% do volume, com defluência de mais de 301 metros cúbicos por segundo.
Diogo Carneiro, engenheiro de operação de reservatório, pontuou que “Emborcação é uma usina muito importante no sistema interligado de geração de energia” e a água não pode ser simplesmente retida, pois acarreta em diminuição de outros reservatórios. As águas abastecem outras oito usinas, inclusive a Itaipu Binacional.

Outros reservatórios também estão com nível crítico, a hidrelétrica de Martins, em Uberlândia, está com -37,06% de volume útil; o reservatório da hidrelétrica de Camargos, em Itutinga, está com 29,7% do volume.

Fabiana Gama, ambientalista, e Marcos Fernando Alvarenga, biólogo, lembraram que o baixo nível dos reservatórios ainda pode comprometer outros fatores, como tornar a água imprópria ao consumo de animais e até causar a morte de peixes.

Esta semana, o Governo Federal anunciou um programa que irá beneficiar consumidores que diminuírem o consumo de energia elétrica. Conforme a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério de Minas e Energia, o intuito é reduzir em 15% o consumo entre setembro e dezembro deste ano em residências, comércios e estabelecimentos rurais. A ideia é premiar com R$50 para cada 100 kWh reduzidos no consumo. Para isso, a redução tem que ser de 10% da conta em relação à média do que foi consumido nos mesmos meses do ano anterior.

Fonte: JM Online