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PF PRENDE QUADRILHA QUE VENDIA MACONHA 'GOURMET' PELAS REDES SOCIAIS EM RIO PRETO

A Polícia Federal investiga dez moradores de Rio Preto suspeitos de integrarem uma quadrilha especializada em venda de maconha híbrida. As negociações ocorriam por meio de perfis no Instagram, com direito a propagandas por postagens de fotos e vídeos no feed e nos stories, até com marketing sobre as supostas vantagens dos produtos.

A droga é chamada de híbrida, pois provém da mistura de variedades da erva durante o plantio. Algumas eram comercializados a R$ 150 cada grama e, segundo a polícia, tinham efeitos entorpecentes mais fortes.

Segundo o delegado coordenador da PF, Cristiano de Pádua, a operação foi batizada como Green Net – em menção à cor da erva e à forma como era comercializada. A ação foi deflagrada na manhã de quarta-feira, 14. Foram 17 mandados de busca e apreensão cumpridos em Rio Preto, Santa Fé do Sul, Rio Claro, Praia Grande, Campos do Jordão, São Paulo, Contagem (MG) e Almirante Tamandaré (PR).

Em Rio Preto, foram dez mandados de busca contra jovens entre 20 e 30 anos, de classe média alta. Dois rapazes foram presos em flagrante em posse de maconha. Mais três suspeitos foram detidos – dois foram liberados após assinarem termos circunstanciados e o terceiro saiu da delegacia após pagamento de fiança (ele tinha sido detido por posse ilegal de arma).

Para acabar com as “bocas de fumo virtuais” criadas pela quadrilha na rede social, a Justiça Estadual determinou o bloqueio de cinco perfis. Até a manhã de quarta-feira, a ordem não tinha sido cumprida pela empresa Facebook, administradora da rede social.

O delegado do caso, Gustavo Gomes, afirma que a investigação começou em 2019, quando a PF periciou o celular de uma pessoa detida por tráfico de drogas por via postal. “Encontramos troca de mensagens no aplicativo Instagram sobre encomenda de droga. Lá tinha informações que nos levaram até os perfis criados apenas para vender o entorpecente”, diz o delegado.

Durante os dois anos de investigações, a PF descobriu a existência deste grupo de dez moradores de Rio Preto, todos amigos, que compravam a droga juntos para revender. Não havia estrutura de hierarquia entre os membros, segundo o delegado.

"Nos outros estados, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa dos administradores dos cinco perfis criados no Instagram. Houve apreensão de materiais (computadores e celulares), mas nenhuma prisão em flagrante”, explica o delegado.

Para atrair os clientes, os suspeitos incluíam nos nomes dos perfis referências com termos populares para denominar maconha, com a função de facilitar a busca por usuários à procura de entorpecentes.

De acordo com Gomes, em alguns perfis, era necessário primeiro ser aceito pelo dono do perfil, para depois escolher as drogas por meio de fotos e vídeos. As negociações entre traficantes e usuários eram feitas por meio do canal de bate-papo do Instagram. Depois de confirmar o pagamento por meio de pix ou transferência bancária, a droga era enviada por meio dos Correios.

Os dois presos foram enviados para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Rio Preto. Nesta quinta-feira, 15, devem passar por audiência de custódia. O advogado dos dois suspeitos presos, Augusto César Mendes Araújo, afirma que solicitou cópia dos autos e vai provar no inquérito que seus clientes não são traficantes. Eles vão responder por tráfico de drogas e associação para o tráfico, com penas de 8 a 25 anos de reclusão.

Fonte: G1

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