Bolsonaro defende Pazuello do Exército; CPI cogita prisão

O Comando do Exército abriu processo administrativo contra o general Eduardo Pazuello por ter participado de um ato político com o presidente Jair Bolsonaro no domingo. Como é militar da ativa, o ex-ministro da Saúde violou tanto o Regulamento Disciplinar do Exército quanto o Estatuto das Forças Armadas, que vedam manifestações políticas coletivas. Pazuello esteve ontem no comando para se explicar, mas, mesmo assim, vai enfrentar um processo. Ele tem 72 horas para apresentar sua defesa. Depois disso, o comandante da Arma, general Paulo Sergio Nogueira de Oliveira, vai tomar uma decisão. (G1)

Segundo o vice-presidente Hamilton Mourão, general da reserva, Pazuello entendeu que foi um erro ter participado do evento. “O Pazuello já entrou em contato com o comandante, colocando a cabeça dele no cutelo”, disse Mourão. Para o vice-presidente, a questão deve ser resolvida “dentro do regulamento do Exército” e o ex-ministro “pode pedir transferência para a reserva e atenuar o problema”. (CNN Brasil)

No Twitter, o ex-ministro da Secretaria de Governo general Santos Cruz criticou a politização do Exército, que classificou como algo “irresponsável e perigoso”. “De soldado a general tem que ser as mesmas normas e valores”, escreveu. Logo em seguida, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) reagiu, também num tuíte, dizendo que o ex-ministro “parece um petista”. (UOL)

O problema é que há um outro Bolsonaro no meio do caminho: Jair. Ao saber que o Ministério da Defesa e o Comando do Exército preparavam uma nota conjunta sobre o incidente, o presidente, que estava em Quito, telefonou para o ministro Braga Neto e proibiu qualquer manifestação sobre o caso. (Estadão)

Ricardo Rangel: “O Alto Comando precisa dar ao general delinquente o tratamento adequado. Mandá-lo para a reserva ou adverti-lo não serve: será um prêmio, e equivalerá a usar a farda do comandante Paulo Sérgio para lustrar os coturnos de Bolsonaro. Pazuello merece no mínimo cadeia. Mas, dada a recalcitrância e o cinismo do ex-ministro, deveria mesmo é ser expulso da corporação.” (Veja)

Bela Megale: “O Secretário da Polícia Miliar do Rio de Janeiro, o coronel Rogério Figueredo, marcou presença na manifestação realizada no último domingo, em apoio a Jair Bolsonaro. Sem máscara e fardado, Figueredo posou para foto ao lado do presidente.” (Nota: é sem o i, mesmo.) (Globo)

Não é só no Exército que Pazuello enfrenta problemas. Amanhã a CPI da Pandemia vota um requerimento para que ele preste novo depoimento. Segundo o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), se mentir novamente, o ex-ministro “sairá algemado”. (UOL)

Uma das explicações que o general terá de dar será sobre uma carta enviada a ele e ao então secretário-executivo da pasta, Élcio Franco, na qual a Pfizer propôs soluções para todos os supostos entraves apontados pelo governo brasileiro na compra da vacina. Além disso, Carlos Murillo, então presidente da Pfizer no Brasil, alertou que, se o acordo não fosse fechado até 7 de dezembro, as vacinas destinadas ao Brasil seriam oferecidas a outros países. (G1)

E a CPI retoma os depoimentos ouvindo hoje a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro. Defensora dos tratamentos precoces e sem eficácia comprovada contra Covid, ela é conhecida como ‘capitã cloroquina’. (Estadão)

A União Europeia fechou seu espaço aéreo a aeronaves de Belarus e recomendou que companhias aéreas evitem sobrevoar o país. As medidas são uma reação à interceptação de um voo de passageiros que ia da Grécia para a Lituânia e foi forçado a pousar em Minsk, onde policiais prenderam o jornalista Roman Protasevich, opositor do ditador bielorusso Alexander Lukashenko. (Estadão)

“Não façam isso. Vão me matar”, pediu Protasevich aos tripulantes do avião interceptado. Testemunhas contam o que aconteceu a bordo. (Folha)

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